Para salvar a Lava Jato, a palavra de ordem deve ser: manter a delação e anular o acordão; a Justiça é para todos

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O Brasil passa por uma dura e implacável discussão moral após o acordo que deu plena impunidade aos irmãos Joesley e Wesley Batista.
Enquanto isso, são levantadas questões éticas: devemos ter “bandidos de estimação”? As punições devem ser seletivas? Se aqueles que apoiaram temporariamente o governo Temer requisitarem sua impunidade, não estarão se igualando aos petistas que pedem impunidade para Lula?
É claro que não podemos aceitar a lógica que defende os bandidos de estimação. Não é aceitável admitir punições seletivas. Qualquer pessoa que saia pedindo para o STF livrar a cara de Temer cairia na mesma vala moral onde estão os petistas. Por este mesmo motivo, é imperativo que se mantenha a coerência.
Aquela direita que temporariamente apoiou Temer não deve solicitar nenhuma anulação de evidências e nem mesmo a interrupção de qualquer investigação. Vale o mesmo para os apoiadores de Aécio Neves. Se é que eles ainda existem.
O último já está mais enrolado que namoro de vesgo. Já Temer parece que vai trilhar um árduo caminho diante da Justiça. Se surgirem novas provas mais contundentes, ele será abandonado até pelo seu pequeno séquito de apoiadores.
E aí de novo voltamos à questão da Justiça seletiva, pois algumas pessoas passaram a confundir tudo, interpretando a necessidade de punir todos os delatados pela JBS com a validação da impunidade dos irmãos Joesley e Wesley.
O detalhe é que eles já cometeram vários crimes no curso da delação, sendo o principal deles o uso de provas falsas, bem como a utilização de informações privilegiadas para especulação. Este último crime pode ter sido parte de uma iniciativa que causou um prejuízo de 300 bilhões ao Brasil.
Razões como essas são suficientes para deixarmos claro: essa insanidade moral precisa ser interrompida. A única atitude moralmente aceitável passa pela exigência de que todas as provas coletadas (e delações já feitas) sejam mantidas, ao mesmo tempo em que o acordo seja cancelado. Não se pode admitir que os irmãos Joesley e Wesley passem sem cumprir ao menos um dia de pena.
Se essa impunidade for mantida, o Brasil saberá que o crime compensa (e muito), desde que você seja eleito como privilegiado por um sistema que nem mesmo se importa em ser coerente.
Não deve demorar para uma parcela daqueles que protestam contra a corrupção se desanimarem até mesmo a proteger a Lava Jato. Assim, este é mais um motivo para exigirmos, como palavra de ordem, que todas as provas sejam mantidas enquanto o acordo é cancelado.
Só assim teremos boas expectativas para a Lava Jato.
Via ceticismopolitico.com